Crónica - dia 29 de Maio
1. PLANO DO DIA. Após a oração, conduzida pela Província da Argentina em colaboração com o Distrito do Uruguai, iniciámos os trabalhos sob a moderação do P. Eduardo Agüero. O Superior Geral leu a mensagem que será enviada ao Papa Bento XVI, manifestando a nossa comunhão eclesial e fazendo breve referência à questão da beatificação do Venerável Padre Leão Dehon, no sentido de esta contribuir para que o amor de Deus esteja presente nas pessoas e na sociedade. Seguiram-se os trabalhos de grupo (sempre com as mesmas dinâmicas) e plenário, hoje sobre a quarta coluna temática “Partilha dos Bens e Autonomia Económica”. Ainda houve tempo para apresentar a Província do Chile e a Região da Venezuela, esta depois do almoço. Seguiu-se nova apresentação da Comunidade Territorial de Angola (surpresa para mim, mas assumi isso com todo o gosto). Falou-se ainda de projectos para uma missão no Chade e da hipótese de presença, ainda que discreta, na China. O Capítulo aprovou ainda as actas nº 6 e 7 dos dias 25 e 26 de Maio, respectivamente. O dia terminou com a solene celebração da Eucaristia, em acção de graças pelo novo Governo Geral da Congregação.
2. PARTILHA DOS BENS E AUTONOMIA ECONÓMICA (tema). Foi o tema de hoje, relacionado com o “documento de trabalho” do Capítulo (temos o livrinho mas ainda não foi referido em plenário, pois as novas metodologias não o tomaram como instrumento directo; há outros…). Dos grupos saíram algumas ideias quanto aos seguintes pontos: como fazer funcionar a caixa comum, tendo em conta os pontos fracos e os pontos fortes com ela relacionados; o que pode ajudar a fomentar a autonomia económica local; o que pode ajudar a fomentar a autonomia económica continental; estratégia comum de interacção para se chegar a uma maior autonomia económica. Recordo que a dinâmica pós-moderna que nos foi imposta pretende que cheguemos a escolhas concentradas, na perspectiva de encontrar o centro… Como tenho feito nos dias anteriores, deixo a plurifacetada chuva de ideias que saíram dos grupos.
3. CAIXA COMUM (regras para a concretizar): transparência; ética e motivação espiritual; prestar contas pessoais e comunitárias; balanços e orçamentos nas reuniões comunitárias; generosidade efectiva; partilha do voto de pobreza; atenção ao ambiente em que se vive; percentagem da comunidade para a caixa provincial; formação à responsabilidade; planificar, executar, avaliar; crescer na mentalidade da partilha (a proposta do 1%); fundo comum personalizado; seriedade e exactidão nas contas (“prestar contas e não contos”); critérios comuns na partilha; ecónomo como animador na comunidade e na Província; contas ao superior e comunidade; consciência de que seguimos Cristo pobre; etc.
4. AUTONOMIA ECONÓMICA LOCAL (o que pode ajudar): conhecer realidades, necessidades e possibilidades; viver do trabalho; investir na produção a vários níveis; planificação e orçamento; efectivar caixa comum; vida sóbria, sem supérfluo; dedicação aos benfeitores; associação de benfeitores; rede de benfeitores; procura de actividades produtivas; rentabilizar estruturas; equilíbrio entre serviços gratuitos e remunerados; poupança; investimento; boa gestão do que temos; etc.
5. AUTONOMIA ECONÓMICA CONTINENTAL (o que pode ajudar): partilha de projectos; trabalho em conjunto, sinergia; colaboração; formação comum; investir na bolsa; formação de ecónomos; financiamento de projectos comuns; coordenação de ajuda a entidades; cooperação transparente com Ecónomo Geral; concretizar a proposta do 1%; criar fundos; empréstimos sem juros; unificar iniciativas; adequar estilo de vida ao ambiente; etc.
6. ESTRATÉGIA COMUM (propostas para se chegar a uma maior autonomia económica): investimento; colaboração através da concretização do 1%; estilo de vida simples; poupança; reestruturar bens imobiliários, rentáveis; equilíbrio na contabilidade entre entradas e saídas; formação à pastoral dos benfeitores; globalização da justiça; formação de ecónomos; intercâmbio de experiências; trabalho e benfeitores; co-responsabilidade; evitar gastos inúteis; rentabilizar estruturas; investir na formação profissional; transparência económica; gestão responsável; programação trienal; formação de ecónomos e superiores; procurar obras que possam gerir recursos; incrementar solidariedade; criatividade; formação à gestão; não acumular; reduzir nível de vida a uma vida simples; etc.
7. PARTILHA DOS BENS E AUTONOMIA ECONÓMICA (método ou dinâmica). Ora cá chegamos. Se calhar já estavam contentes por não falar hoje do método (ou dinâmica, pois é preciso criatividade e variar os nomes…). Realmente, não estava com disposição, até porque me calhou o mesmo “facilitador” (será o mesmo que moderador?) de ontem, o tal que não deixa ver o andamento do processo (ao contrário dos outros grupos), pois deve considerar a surpresa como um bem adquirido. Os sete grupos foram hoje formados por moedas, pois cada um recebeu um papel circular com o nome e símbolo da moeda: ien, peso, bolívar, dólar, rand, rupia, euro (que ideia originalíssima, quem a teve deve ter passado a noite a desenhá-la…). A mim calhou-me o euro (em papel, claro). Os passos foram os já ditos atrás (quanto ao tempo, inventei-o para chegar a 90 minutos, pois o dito cujo não me facilitou esse conhecimento): trabalho em trina (três grupos de três, hoje andei em francês) para descobrir três pontos fracos e três pontos fortes da caixa comum (10 minutos); apontar quatro regras para ajudar a funcionar a dita caixa (20 minutos); apresentar quatro ideias concretas para a autonomia económica local e outras quatro para a autonomia económica continental (30 minutos); três propostas, em grupos de trinas, para se chegar a uma estratégia comum quanto à caixa comum (15 minutos), de cuja partilha em grupo deveriam sair cinco propostas para o plenário (15 minutos). Como vêem, chegamos aos 90 minutos do rigor do método. O meu grupo, como começou dez minutos atrasado (como os outros) e terminou dez minutos antes da hora (só nós), acabou por despachar tudo em 70 minutos (é a força do euro, só pode… ou o desejo do café, também serve…). Na segunda-feira há mais, é a última sessão desta coisa (e que coisa!).
8. PARTILHA DOS BENS E AUTONOMIA ECONÓMICA (plenário). Como tem sido habitual, seguiu-se o tal plenário livre, depois da apresentação dos cartazes dos grupos (em foto), em que cada um pode “botar faladura”. Debate muito interessante, que foi à raiz do problema: viver autenticamente segundo o voto de pobreza! Houve intervenções que puseram o dedo na ferida de muitas situações. Muito passa pelo problema de cada pessoa, reflectido depois nas comunidades, entidades e Congregação. É impossível resumir as várias intervenções. Deixo apenas algumas notas soltas: desafio formativo à pobreza como missão; distinguir, na autonomia económica, entre vida ordinária e vida extraordinária; lembrar o princípio da subsidiariedade e a autonomia pela interdependência; dar testemunho de vida pobre, ter uma vigilância comunitária constante sobre isso, assumir revisão de vida; interrogarmo-nos sobre o nosso estilo de vida com todas as seguranças e uma vida acima da média; seguir Cristo pobre e assumir com coerência e na prática um estilo de vida pobre, simples, sóbria; atenção aos sinais de vida que exprimem o que somos e temos; etc. Alguém sugeria que o Governo Geral fosse um voz profética neste sentido.
9. PROVÍNCIA DO CHILE. A Província do Chile conta com 20 membros e 1 noviço; dos 20 membros, 6 estão na “diáspora”, por motivos de formação ou de missão noutras entidades. Falta toda uma geração intermédia, pois não há confrades entre os 45 e os 65 anos. A Província sofreu uma forte diminuição, mas tal é assumido com coragem e esperança. Obras e empenhos: casa de formação para aspirantes e postulantes (o noviço está em Salamanca); pastoral juvenil, vocacional e missionária; presença nas duas paróquias; dois colégios com 2427 alunos; trabalho na reabilitação das vítimas de álcool e droga (Fundação Sagrado Coração). Apesar da escassez de pessoal, colaboram com outras entidades, sobretudo a nível da formação. Como desafios e perspectivas, além dos citados atrás: aprofundamento da vida espiritual e da vida em fraternidade; formação especializada dos confrades jovens; revisão das estruturas. Nesse sentido, já apresentaram um pedido ao Superior Geral, para a mudança jurídica da Província em Região.
10. VENEZUELA. A Região da Venezuela foi constituída a 17 de Agosto de 2003, precisamente após 50 anos de presença dehoniana neste país. A Região assume este tempo como de primavera, em atitude de esperança. São 30 membros, 11 originários de Espanha e 19 da Venezuela. Região jovem com 44,2 de média de idade. Obras e compromissos apostólicos: formação; pastoral paroquial (sete paróquias em quatro dioceses); pastoral da educação, com um colégio; pastoral da saúde, com três centros médicos. Destaque para o Instituto Intercongregacional de Teologia para Religiosos, com reconhecimento civil e eclesial. Como desafios: realidade sócio-política do país; formação permanente; especialização em diversas áreas como teologia, espiritualidade e pastoral; pastoral educativa; pastoral juvenil e vocacional, atenção ao mundo universitário; opção missionária e abertura aos projectos da Congregação (incluindo a Missão de Angola); procura da autonomia financeira.
11. ANGOLA 1. Fui chamado para continuar a apresentação de Angola, pois há dias (lembram-se?) o tempo de dez minutos não me permitiu uma apresentação mais cuidada. Desta vez, tive vinte minutos, agradeço a generosidade do moderador. Ladeado pelos dois Superiores Provinciais de Moçambique e da Itália Setentrional, apresentei a Missão, de forma clara e visual, sempre com muitas fotos e pouco texto. Comecei por fazer uma breve memória do que havia dito há dias, quanto à situação actual da Comunidade Territorial de Angola nos seus cinco anos de existência (2004-2009): oito dehonianos (seis de Portugal, um de Moçambique, um da Itália Setentrional); duas comunidades, em Viana e no Luau, e construção das residências; datas significativas; paróquias de Nossa Senhora do Rosário (Viana) e de Santa Teresinha do Menino Jesus (Luau, Luena) e outros projectos pastorais; resenha das inúmeras comunidades cristãs das duas paróquias; reconstrução da igreja do Luau; reconstrução da escola do Luau; Casa da Missão do Luau; etc.
12. ANGOLA 2. Apresentei igualmente, de forma detalhada e transparente, as perspectivas e projectos da Comunidade Territorial de Angola, nos seguintes aspectos: perspectiva de envio de missionários nos próximos anos; constituição de uma terceira comunidade em Luena e sua finalidade (finais de 2009, inícios de 2010); projecto formativo quanto a vocacionados, aspirantes, postulantes, noviciado (aqui apresentei detalhadamente o itinerário proposto pelo Superior Geral na carta conclusiva da visita canónica em 2008); situação económica, a nível ordinário, extraordinário e de projectos pastorais; reconstrução da Casa da Missão no Luau (com fotos recentes enviadas pelo P. Joaquim Freitas); Casa de Formação em Viana (com fotos recentes sobre o estado da construção); alguns dados concretos sobre o auto-financiamento, em que os nossos missionários vão conseguindo dar atenção a este aspecto tão importante para a autonomia económica (além do trabalho dos missionários e dos benfeitores, as comunidades cristãs, sobretudo a de Viana, contribuem substancialmente dentro das suas possibilidades); outros projectos. Aqui chamei a atenção para projectos pastorais em perspectiva noutras dioceses, para a reconstrução de capelas e escolas, para a resposta concreta aos desafios a nível social.
13. ANGOLA 3. Sobre a nossa casa em Viana, salientei a urgência em se construírem os arruamentos e acessos (por causa das inundações…) assim como a Capela, que ficou fora do projecto, por falta de verba. Sobre a Casa da Missão no Luau, agradeci à Província da Alemanha a preciosa ajuda para a sua reconstrução, lendo dois extractos de uma carta que o P. Joaquim Freitas me enviou há dias. 1. «O tempo passa depressa e os preços dos materiais, devido à crise financeira e económica mundial, não param de subir. Um exemplo concreto é o valor do saco de cimento que, aquando da apresentação do orçamento (2007), estava a 7 euros e está agora a 20 euros…». 2. «Agradecemos vivamente ao Superior Provincial da Alemanha, em nome da comunidade do Luau, a verba disponibilizada pela sua Província para a reabilitação da missão do Luau». Terminei a apresentação, aludindo ao contexto paulino da urgência do anúncio do Evangelho e ao desafio missionário que o Padre Dehon lança permanentemente às nossas vidas, sempre a partir de Cristo como único ideal das nossas vidas.
14. CHADE E CHINA. O P. Antonio Panteghini, Superior Provincial dos Camarões, apresentou uma proposta de presença pastoral no CHADE, para a qual estão a pensar enviar uma comunidade, ficando uma outra numa diocese fronteiriça dos Camarões. Apelou a que outros pudessem integrar esta presença, num sentido de colaboração congregacional. O Superior Geral salientou alguns contactos havidos para uma possível presença na CHINA, a partir de Macau, que foi território português até 1999. Falou também na internacionalidade da missão, como perspectiva futura da Congregação. Estas duas possíveis presenças serão ainda debatidas durante o Capítulo.
15. EUCARISTIA. Em acção de graças pelo Governo Geral da Congregação. Iniciámos na sala capitular, por causa da tradução, com a homilia partilhada pelos membros do novo Governo Geral, à excepção do P. Albert, que ainda não chegou a Roma. A partir das suas experiências pessoais e à luz dos textos da Carta aos Romanos 12,1-8 e do Evangelho de São João 13,1-15, todos meditaram sobre a autoridade como serviço à Congregação, à maneira de Jesus (ícone bíblico do lava-pés). Referiram ainda a vida como oblação a Deus e à comunidade. Todos demos graças a Deus e rezámos para que ilumine o Superior Geral e seus Conselheiros a bem orientar a vida da Congregação.
16. MAIS UMA SEMANA… Esta afirmação pode servir para a “semana central” de trabalhos capitulares que termina (a ela voltarei em avaliação crítica), como para a que se vai iniciar. Pela breve perspectivação do P. Marek Stoklosa, vai ser uma “semana jurídica”, com a aprovação das alterações às Constituições e ao Directório Geral, por blocos temáticos, e a aprovação definitiva das NAB (Normas para a Administração dos Bens). Mas não deveremos patinar demasiado, dado o excelente trabalho produzido pela Comissão Jurídica, onde pontifica o nosso P. Saturino Gomes. Bom fim-de-semana para quem ainda não desistiu de seguir estas coisas. Ainda não é desta que sairei de casa, talvez saia apenas no próximo dia 12, pela noite, rumo a Lisboa… Bom descanso, para quem puder! E bom encontro para os ex-dehonianos, em Alfragide no próximo domingo. Estarei unido, com saudade, na oração e na amizade!
» Manuel Barbosa, scj