« Caritas Christi urget nos »
(2 Cor 5:14)

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Crónica - dia 28 de Maio

1. NOVO GOVERNO GERAL.
Com a eleição dos últimos três Conselheiros Gerais, ficou assim constituído o novo Governo Geral para 2009-2015: Superior Geral – P. JOSÉ ORNELAS CARVALHO (Portugal), 55 anos, 36 de vida religiosa e 27 de sacerdócio; Conselheiro 1 – P. PAULUS SUGINO (Indonésia), 54 anos, 30 de vida religiosa e 26 de sacerdócio; Conselheiro 2 – P. CLAUDIO DALLA ZUANNA (Itália), 50 anos, 30 de vida religiosa e 24 de sacerdócio; Conselheiro 3 – P. CLÁUDIO WEBER (Brasil), 64 anos, 36 de vida religiosa e 35 de sacerdócio; Conselheiro 4 – P. JOHN VAN DER HENGEL (Canadá), 69 anos, 50 de vida religiosa e 43 de sacerdócio; Conselheiro 5 – P. ALBERT LANGWENGWE (Congo), 52 anos, 21 de vida religiosa e 14 de sacerdócio. No final, o Superior Geral agradeceu a toda a assembleia o reconhecimento pela eleição destes confrades, a quem expressou um obrigado pela sua disponibilidade em servir a Congregação nesta missão de governo. Agradeceu ainda àqueles que foram votados e poderiam igualmente exercer esse serviço. Finalmente, teve uma palavra muito especial de agradecimento para com os dois Conselheiros que não foram reeleitos, padres Madya e Bogacz, pelo excelente caminho feito em conjunto ao longo dos últimos seis anos.

2. EMENTA DO DIA.
Sendo a referida eleição o momento alto do dia, interessa agora recordar os vários passos percorridos neste dia: oração da manhã, conduzida pela Província do Brasil do Sul; trabalho de grupos e plenário sobre a terceira coluna de reflexão, “Pastoral Juvenil e Vocacional”; missa por grupos linguísticos; almoço; eleição dos restantes Conselheiros Gerais; apresentação das Províncias da Argentina, Brasil Setentrional e Brasil Meridional, e do Distrito do Uruguai; adoração; jantar. O Superior Geral leu uma proposta de mensagem, essencialmente de saudação, agradecimento e pedido de bênção, a enviar ao Santa Padre. Por sugestão de um capitular, aceite tacitamente pela assembleia, ficou de se inserir alguma referência à situação da Congregação e, em particular à questão da (não) beatificação do Padre Dehon. Assim, nova proposta de mensagem voltará à assembleia para aprovação. O Superior Geral deu ainda nota dalgumas mensagens chegadas ao Capítulo, da parte da Fraternidade Mariana de Jaraguá do Sul, Brasil (Instituto Secular fundado pelo P. Aloysio), e dos missionários italianos ao serviço dos emigrantes na Alemanha, solicitando estes a constituição de uma comunidade internacional em Berlim. Como sempre, foram bem acolhidas e aplaudidas. Os trabalhos deste dia tiveram o P. Alessandro Capoferri como moderador.

3. PASTORAL JUVENIL E VOCACIONAL (tema e método).
Foi o tema proposto para reflexão nesta manhã, utilizando-se o método interactivo já referido, cuja especificidade de hoje passo a explanar. Reconheço que não o poderei fazer convenientemente, pois o facilitador do meu grupo não facilitou e não nos deixou ver a metodologia utilizada (disse que é surpresa, apesar de estar traduzida em várias línguas e à disposição de todos; enfim…). A constituição dos grupos, hoje, foi por letras (não é a sopa de letras, mas tem ar criativo…), depois de cores e números nas sessões anteriores (aguardamos ansiosamente qual o processo de distribuição por grupos, amanhã). Isto significa que estamos sempre em grupos diferentes e temos de nos desenrascar, pois não há tradução. Finalmente, estive num grupo de nove, o que possibilitou que trabalhássemos em três “trinas” (tivemos no grupo um Conselheiro “in pectore”, na minha opinião, que veio a confirmar-se à tarde). Voltando ao método, que indico de modo aproximativo, pela razão indicada. Passo 1. Cada um devia escrever num papel (e colá-lo a seguir no cartaz) o motivo que fez nascer a sua vocação (5 minutos). Passo 2. Cada trina deveria apresentar três propostas sobre o modo como nós, Dehonianos, podemos estar presentes no mundo onde se encontram os jovens (10 minutos). Seguiu-se a leitura e comentário das propostas (9 minutos) e a escolha de 5 propostas a apresentar no plenário (11 minutos). Passo 3. Como propor explicitamente a Vida Consagrada aos jovens. Cada trina deveria apresentar três propostas (15 minutos), tendo o grupo de propor quatro em plenário (10 minutos). Passo 4. Cada grupo deveria indicar uma estratégia efectiva para a pastoral vocacional, um plano de acção com objectivo, sugestões e meios, responsáveis, tempos de avaliação (30 minutos). Em suma, trabalho em grupos sempre com os mesmos materiais já citados anteriormente. Sempre (quase) em 90 minutos (desta vez chegámos ao café com atraso de cinco minutos). Sempre de modo dito científico e rigoroso. Sempre com o objectivo de atingir o centro e concentrar, mesmo se os resultados são dispersos e dispersivos. Sempre com a intenção de não se perder tempo (foi pena não usarmos este método nas eleições, amanhã ainda andaríamos nelas). O método poderá ajudar o Comité de Síntese a trabalhar as tais cinco colunas propostas pela Comissão Preparatória. Por falar nisso, não é que hoje aparecerem mesmo três colunas romanas, onde seriam colados também os temas? Vejam as fotos… (estamos mesmo em Roma). Voltando ao método, não quero comentar. Só faltam duas vezes, felizmente. Este advérbio pode ter dois sentidos: felizmente que AINDA faltam dois dias… ou felizmente que SÓ faltam dois dias! Como viram, não opinei! Mas vamos ao que interessa, os conteúdos saídos dos grupos, apresentados na foto de família, quero dizer, nas tais fotos dos cartazes.

4. ENCONTRO
com os mundos onde estão os jovens: educação, colégios, universidades, escolas, catequese; presença nos meios de comunicação social, internet; grupos de jovens, movimentos, associações juvenis, grupos informais; encontros com os jovens; escuta, acolhimento, acompanhamento dos jovens; alegria de ser homem de Deus; abertura a outras perspectivas; acampamentos; novas oralidades, como música, dança, imagens; marketing e acompanhamento pessoal; autenticidade e identidade; inculturação; presença nos centros comerciais; mundo do trabalho e dos tempos livres, desporto; abertura aos jovens com projectos concretos; etc.

5. VIDA CONSAGRADA
como proposta explícita aos jovens: vida de oração; partilha do carisma pelo ensino; testemunho radical de vida pessoal e comunitária; serviço pelos pobres; pastoral audaz com ousadia; convite directo e pessoal; caminho de liberdade e plenitude; hospitalidade para partilhar experiências de vida comunitária; testemunho de vida fraterna com coragem; informação pelos media; apresentar modelos e testemunhos de vida de confrades, de santos; apresentar “vinde e vede”, vida como alternativa; caminhos de fé forte com experiências concretas; ser padre como proposta primeira; acolhimento e acompanhamento; criar oásis dehoniano; dinamismo de convidar, acolher, acompanhar; fazer experiências em conjunto; etc.

6. PLANO DE ACÇÃO
para uma pastoral vocacional. Aqui apresento algumas ideias, embora seja difícil relacioná-las, dada a falta da visualização esquemática. 1. Objectivo: ter vocações dehonianas; criar cultura vocacional; proposta da vocação dehoniana; criar estrutura a nível do Governo Geral para a pastoral juvenil e vocacional; “vinde e vede”; etc. 2. Estruturas e meios: comunidade; animador vocacional; comissão vocacional; planeamento; informação, internet, meios de comunicação; encontros e retiros vocacionais; publicação e materiais; acolhimento de grupos e pessoas nas nossas casas; encontros paroquiais; convite directo; propor obras específicas scj; equipa vocacional com leigos; oração diária pelas vocações; encontros vocacionais “vinde e vede”; “feira de carismas”; pastoral vocacional junto dos emigrantes; conhecimento do mundo dos jovens; propor itinerários de acompanhamento; verificar itinerários de acompanhamento; etc. 3. Responsáveis: todos; Província; comunidade; comissão; delegado vocacional; religiosos, leigos, família; párocos; missionários; conselhos provinciais; comissão no Governo Geral; Conselheiro Geral; etc. 4. Tempos de avaliação: permanente, periódico, anual (dá para tudo); etc.

7. PASTORAL JUVENIL E VOCACIONAL (debate).
Feita a apresentação dos grupos, seguiu-se meia hora de debate livre, em que se foram realçando algumas notas do já dito e afirmado e se apresentaram novos elementos: a emergência da vocação internacional, junto dos emigrantes e itinerário formativo noutra Província com um projecto futuro definido; a importância da análise de tipo psicológico na procura da identidade e orientação da vocação (o nosso psicólogo em forma…); a procura de novas fontes no trabalho vocacional, sem esquecer as antigas; o trabalho conjunto com outras congregações e com as orientações dos bispos; o acompanhamento nos primeiros anos como religiosos; o sentido do pensar global, agir local; etc. O “instrumentum laboris”, o tal que é fruto de reflexão em toda a Congregação, contém estas coisas, mas a tentativa, recordo, é chegar ao centro da coisa, que é Cristo, ou o Coração de Cristo! O trabalho continua… Amanhã há mais, se Deus quiser!

8. ARGENTINA.
Com espírito de bom humor, foi apresentada a Província da Argentina, que conta 26 anos de existência e é constituída por 38 membros, mais dois bispos. Foram salientadas as opções prioritárias: presença preferencial entre os pobres; pastoral juvenil vocacional orgânica para uma Igreja toda ministerial; opção missionária, criando comunidades missionárias abertas a uma opção “ad gentes”. Procuram viver com paixão o presente: a vida fraterna em comunidade; a animação juvenil/vocacional e missionária; a procura da autonomia económica; o contributo específico à Igreja local a partir do carisma scj; a pastoral social e a opção pelos pobres; a opção missionária. Entre as perspectivas, está o projecto de uma Missão SCJ Latino-americana no Paraguai. De salientar a conhecida revista “Umbrales”, com vinte anos de existência. Causou impacto na assembleia a imagem de um cemitério quando abordou a autonomia económica. Resposta humorada do Superior Provincial: “é para dizer que os que estão debaixo da terra já são autónomos”. “Esperemos que assim seja e que sejam felizes na paz do Senhor”, acrescento eu. Terminou com algumas palavras sobre o Distrito do URUGUAI, criado em 2004, e dependente da Argentina. Conta com 14 dehonianos, de quatro nacionalidades. A presença no Uruguai data de 1940. Recordou que o Padre Dehon passou um dia no Uruguai, em 1906, tendo dedicado dois capítulos dos seus relatos de viagens a este país.

9. BRASIL SETENTRIONAL.
Os nossos irmãos do Brasil Setentrional apresentaram a vida da respectiva Província, apelidando-a de “missão de esperança no nordeste do Brasil”. Uma presença que se iniciou a 3 de Fevereiro de 1893, em Camaragibe. A Província foi erecta canonicamente em 1938. Conta hoje com 49 membros e dois noviços. Como prioridades: animação, promoção e acompanhamento vocacional; formação inicial e permanente; revitalização da vida rReligiosa dehoniana. Entre as obras e empenhos apostólicos, é de destacar o apostolado paroquial (12 paróquias e 3 áreas pastorais), duas casas de formação, o apostolado social e educacional, a Família Dehoniana (Leigos Dehonianos e Missão Dehoniana Juvenil). Depois de salientarem a participação na vida da Congregação, apontaram uma série de dificuldades e desafios, sempre numa realista perspectiva de esperança.

10. BRASIL MERIDIONAL.
Utilizando vários meios audiovisuais, fomos inteirados da vida desta Província nascida em 2003, após a separação do Brasil do Sul em duas entidades (o Brasil Central fora apresentado ontem). Conta com 122 membros e 5 noviços. Ficámos pormenorizadamente inteirados dos vários sectores de actividade, como as casas de formação (inclui dois seminários menores), a formação de formadores e a formação permanente, a educação, a espiritualidade e a formação dos leigos, a pastoral paroquial (22 paróquias), a comunicação e cultura; a acção social e a promoção humana. É de destacar a ESIC de Curitiba (em pareceria com a ESIC de Madrid), a Rádio Difusora e o Museu Irmão Luiz Gartner e Centro de Eventos, em Compá, um dos maiores do género na América do Sul.

11. CURIOSIDADES DO NOVO GOVERNO GERAL.
Como disse, terminámos hoje a eleição dos membros dos cinco Conselheiros Gerais, homens sacerdotes com, pelo menos, 35 anos de idade e 10 de Profissão Perpétua. O processo de eleição previa quatro escrutínios com maioria absoluta e quatro com maioria relativa; em caso de empate seguir-se-iam outros critérios ligados ao tempo de profissão e ancianidade. As eleições de hoje foram assim (não digo os números, naturalmente): o P. Cláudio Weber foi eleito no primeiro escrutínio por maioria absoluta; o P. John Van Der Hengel foi eleito no terceiro escrutínio por maioria absoluta (fez-se um breve intervalo após os dois primeiros escrutínios); o P. Albert Langwengwe foi eleito no primeiro escrutínio por maioria absoluta. Este último, mestre de noviços no Congo, como não era membro do Capítulo, teve de ser contactado telefonicamente pelo Superior Geral, manifestando a aceitação do cargo. A nova equipa, constituída pelo Superior Geral e seu Conselho, inicia o seu trabalho com a média de 57,3 de idade (a equipa de há seis anos iniciou com uma média de 46,4). Agora, cabe ao Superior Geral, com o consentimento do seu Conselho, escolher o Vigário Geral entre os cinco Conselheiros, assim como nomear (no prazo máximo de um ano) o Ecónomo Geral, que poderá continuar a ser exercido pelo P. Aquilino Mielgo. A tomada de posse do novo Governo Geral será no encerramento do Capítulo, a não ser que este determine outra data.

12. AMANHÃ.
Termina a segunda semana do Capítulo. No programa, vamos à quarta coluna de reflexão “partilha de bens e autonomia económica”. Está prevista a apresentação do Chile. Fica assim “arrumado” o continente americano (no sentido de terminarem as apresentações respectivas). Para a semana será o “enterro” da Europa (no sentido de desenterrar a esperança). A tarde de amanhã, que tem escrito “ad libitum” (será tempo livre?) no programa, termina com a solene celebração da Eucaristia, em acção de graças por esta “semana central”, em particular pela eleição do novo Governo Geral. A missa começa na sala capitular, por causa da boa tradução da homilia, e termina na capela da Casa Geral da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus. Assim seja!

» Manuel Barbosa, scj

 

 

 

 

 

 

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