Crónica - dia 27 de Maio
1. ELEIÇÃO DO SUPERIOR GERAL. “Os 77 membros do XXII Capítulo Geral reelegeram o Padre José Ornelas Carvalho como Superior Geral da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus para os próximos seis anos. Em nome próprio e dos confrades da Província Portuguesa, quero exprimir imensa alegria pela sua reeleição e profundo obrigado pela extrema dedicação e reconhecida competência com que serviu a Congregação nos últimos seis anos. À luz do lema paulino «o amor de Cristo nos impele» e segundo as orientações deste Capítulo, em resposta aos novos desafios que a Igreja e o Mundo colocam ao nosso Instituto, desejo que continue a dinamizar a vida da Congregação na fidelidade criativa ao carisma que nos legou o Venerável Padre Leão Dehon. Digo-o com elevada estima e em união fraterna no Coração de Cristo”. Foi a mensagem que divulguei em nome da Província Portuguesa. A reeleição aconteceu às 15.50 horas, obtendo-se uma larga maioria de dois terços, como mandam as Constituições, ao primeiro escrutínio. Nas palavras de aceitação, emocionado mas não tanto como há seis anos, o Superior Geral agradeceu aos capitulares a confiança manifestada para continuar a servir a Congregação nesta missão, contando com a força de Deus e o empenho de todos neste caminho em conjunto.
2. MENU DO DIA. A eleição do Superior Geral foi o momento alto do dia, que teve como moderador o Irmão Raymond Kozuch. A oração da manhã, orientada pela Província Europa-Francófona, terminou com o “Veni Sancte Spiritus” (“très bien, comme il faut”, em dia de eleição tão importante!). O Superior Geral leu uma mensagem enviada da Polónia pelos 5 sacerdotes e 8 diáconos, ordenados em Stadnik no passado domingo. Seguiu-se o trabalho de grupos (desta vez numerados até 7, para haver variedade na designação) sobre a Vida Fraterna e a Missão e o correspondente plenário, onde se percebeu que o método não estava a ser aplicado uniformemente como convém (essa afinação vai exigir reforçado trabalho de casa aos facilitadores). A apresentação foi feita pela “foto do cartaz” de cada grupo, projectada e explicada pelo relator de cada grupo (desta vez coube-me essa tarefa no grupo 6). Sucedeu-se um tempo de debate livre sobre o tema, tendo encerrado a manhã com a apresentação da Província dos Estados Unidos e a oração em grupos linguísticos. A tarde abriu com a reeleição do P. José Ornelas Carvalho como Superior Geral e de dois Conselheiros Gerais: P. Paulus Sugino e P. Claudio Dalla Zuanna. Só faltam três Conselheiros. A introduzir as eleições, o jurista Marek Stoklosa recordou-nos todos os pormenores jurídicos, para que os procedimentos não falhassem. O dia terminou, após a adoração e o jantar, com o seguimento da final da Champions League entre Barcelona e Manchester United (aqui perto, no Estádio Olímpico de Roma), aproveitando as condições técnicas da sala capitular. Ganharam os “nuestros hermanos” da Catalunha. Sem comentários.
3. MÉTODO PARA “VIDA FRATERNA E MISSÃO”. É a mesma dinâmica inter-activa de ontem, mas com aplicações próprias. O material implica sempre muita cola, cartolinas rectangulares ou circulares de várias dimensões, marcadores de cores diferentes e coisas do género, daquilo que se usa essencialmente em dinâmicas juvenis (tivemos um bom exemplo no último encontro nacional da pastoral juvenil em Fátima). Explico o método com duas intenções: para vos informar do que andamos a fazer e para que, porventura, possais usá-lo pessoalmente ou nas comunidades. Se houver pelo menos um justo que o aproveite, já me dou por satisfeito da explicação. Então, vamos à coisa. Passo 1. Iniciámos com um trabalho individual sobre os desafios da vida fraterna (5 minutos, sendo 4 minutos para reflexão individual em que cada um escrevia dois desafios numas folhinhas e 1 minuto para colá-las no cartaz). Passo 2. O tempo seguinte destinou-se a ver como envolver todos os confrades na missão da Congregação desde o início da formação (10 minutos para cada mini-grupo apontar cinco elementos concretos, 9 minutos para leitura dos grupos, 11 minutos para todo o grupo escolher seis propostas). Passo 3. Propor um elemento concreto que apoie a estrutura e a vida da comunidade internacional (cada mini-grupo tinha 15 minutos para apresentar três ideias, dedicando-se depois 10 minutos para a leitura em grupo). Cada grupo apresentou nove elementos concretos e classificou-os de 1 a 3 (com números e estrelas) nos âmbitos da espiritualidade, da aprendizagem e da missão. Passo 4. Escolher três novos areópagos do mundo de hoje que queremos como missões dehonianas (5 minutos para escrever individualmente dois novos areópagos, 25 minutos em grupo para escolher três deles). Tudo somado, o trabalho dura 90 minutos, distribuído de modo científico e rigoroso, mesmo que não se observem os tempos com toda a minudência. O grupo 6, por exemplo, foi o mais lesto hoje nos seus 75 minutos, pois fomos os primeiros a chegar aos cafezinhos & refrescozinhos, docinhos & salgadinhos… Em cada grupo, há três dinâmicas: trabalho individual; trabalho em mini-grupos formados por “trinas” (três elementos), “quadrinas” (quatro elementos) ou “binas” (dois elementos); trabalho em conjunto. Deixo-vos algumas notas dispersas das temáticas que foram sendo apresentadas através das tais fotos dos cartazes.
4. ENVOLVIMENTO dos confrades na missão da Congregação desde o início da formação: conhecer origens da Congregação e actualidade do carisma incarnado; espírito voluntário e aberto à missão; jovens em estágio noutra cultura; ver a Congregação como organismo dinâmico; formação internacional e intercâmbio de formadores; estudo de outras línguas; procura da língua comum; informação concreta sobre a vida da Congregação; intercâmbio de informação; familiaridade com textos fundamentais da Congregação; experiência internacional; responsabilidade de todos; conhecimento do Padre Dehon e da Congregação; etc.
5. ELEMENTO CONCRETO para apoiar a estrutura e a vida da comunidade internacional: ter um projecto comum concreto; promover disponibilidade pessoal; fidelidade concreta ao carisma; conhecer e estudar cultura local; acolhimento interpessoal; projecto unitário de apostolado; formar à comunidade; viver caixa comum; formas organizadas para a partilha dos bens; projectos claros e concretos; economia baseada no trabalho dos confrades; SCJ-TV intercontinental; coração aberto ao mundo e à diversidade; valorizar culturas diversas; reuniões internacionais; viver internacionalidade nas comunidades; conhecer a língua local; conhecimento concreto das missões; etc.
6. MISSÕES DEHONIANAS nos novos areópagos no mundo de hoje: comunicação/culturas; mundo universitário; mundo social; jovens; migrações; re-evangelização da Europa; presenças na Ásia, China e Paraguai; cultura/educação; meios de comunicação social; diálogo inter-cultural; justiça e paz e salvaguarda da criação; pobres e mundo secularizado; etc.
7. “VIDA FRATERNA E MISSÃO” EM PLENÁRIO. Estes foram alguns elementos expressos no plenário, em grande parte de forma repetida e dispersa. O conjunto das intervenções não trouxe muito de novo. Acentuou-se, sobretudo, o facto de se incidir na concretização de alguns princípios formulados: muitas vezes, à fase da decisão falta o seguimento, isto é, as fases da execução e da avaliação. O Superior Geral encerrou o debate, dizendo não haver contraposição entre vida fraterna e missão. Aliás, o tema da vida comunitária já havia sido amplamente abordado na véspera. Apelou à internacionalidade como desafio actual e para o futuro: a comunhão internacional pode revitalizar as Entidades com longa tradição e fazer crescer as novas presenças. Que instrumentos concretos devemos prever para esta nova situação? Uma reflexão a continuar de forma incisiva…
8. DOIS CONSELHEIROS GERAIS. 1. O P. PAULUS SUGINO (Indonésia) foi o primeiro Conselheiro Geral a ser escolhido. Aconteceu no segundo escrutínio, por maioria absoluta, como mandam as normas do nº 130 das Constituições e do Directório Geral. Após obter a resposta do P. Sugino – “o amor de Cristo me impele a aceitar” –, o Superior Geral agradeceu a sua disponibilidade e manifestou a alegria de o ter na equipa do próximo Governo Geral. O P. Sugino tem 30 anos de profissão religiosa e 26 de sacerdócio, é licenciado em Teologia Dogmática e em Psicologia. Foi Capelão em Tugumulyo, formador e reitor no Escolasticado, membro do Conselho Provincial e Superior Provincial. Fala francês, inglês e italiano; compreende também alemão. Recordo que, no último Capítulo Geral, foi votado para Conselheiro Geral, o que não se concretizou por motivos de saúde. 2. O segundo Conselheiro Geral escolhido foi o P. CLAUDIO DALLA ZUANNA, que continua, assim, a fazer parte do Conselho Geral. Foi eleito por maioria absoluta ao primeiro escrutínio. Professou há 30 anos e está a celebrar 25 anos de ordenação sacerdotal.
9. COMITÉ DE SÍNTESE. Os quatro membros do Comité de Síntese fizeram hoje a sua primeira aparição para apresentar o trabalho da primeira semana; trabalho interessante e consistente, com algumas afirmações centrais à volta dos três pilares da nossa vida – espiritualidade, comunidade, missão – e muitas interrogações, pois os princípios precisam de ser concretizados. Foi interessante também a forma como captaram visualmente a evolução da reflexão na primeira semana, apresentando uma imagem dinamicamente “astronómica”, que tinha o Coração de Jesus no centro dos três pilares citados. Enfim, um trabalho ainda nos seus inícios, que vai sendo afinado com os dados da reflexão desta “semana central” e do “documento de trabalho”.
10. ESTADOS UNIDOS. A Província dos Estados foi apresentada pelo Superior Provincial, estando na mesa da presidência acompanhado pelos dois delegados e pela jornalista americana Mari Gorsky (enfim…). A primeira parte da exposição foi histórica, entre o que a Província era e o que é agora, tendo sofrido de uma rápida redução. Conta com 98 membros. Fomos informados sobre as três obras principais da Província: Saint Joseph’s Indian School, em Chamberlain, South Dakota; Sacred Heart Southern Missions, no norte do Mississípi; Sacred Heart School oh Theology, em Hales Corners, Wisconsin, a mais importante escola de Teologia para adultos nos Estados Unidos, também escola de línguas. Soubemos ainda do número de benfeitores, quase dez milhões (equivalente à população de Portugal, digo eu). Face ao envelhecimento, há um olhar de esperança, que passa pela possibilidade de colaboração com outras Províncias.
11. MENSAGEM DE ALFRAGIDE. Transcrevo aqui a mensagem, referida ontem, que o P. José Agostinho enviou à assembleia capitular, em nome da comunidade de Alfragide (Portugal). “Reverendíssimo Superior Geral, caríssimo Padre Ornelas. Aqui por Alfragide temos acompanhado a par e passo e com muito interesse o desenrolar dos trabalhos aí em Roma. Fazemo-lo através da leitura das notícias e por meio da nossa oração fraterna quotidiana. No início desta semana, que se reveste de particular importância para os trabalhos capitulares e para o futuro próximo da nossa família religiosa, começámos o dia com a Missa do Espírito Santo e a nossa oração solidária. Que o Espírito Santo vos acompanhe e ilumine e vos ajude a encontrar renovados caminhos de dinamismo e fidelidade ao carisma que o Senhor nos confiou. Contai com a nossa oração e a nossa amizade fraterna. Um abraço amigo, Padre José Agostinho”.
» Manuel Barbosa, scj