Crónica - dia 26 de Maio
1. EMENTA DO DIA. Depois do dia de retiro, temos quatro dias previstos como intensos, já que estamos na tal “semana central” do Capítulo. O dia iniciou-se com a oração, orientada pela Província da Polónia, que passou por cima do hino inicial de invocação ao Espírito Santo (terá sido esquecimento?), mas recuperou, no final, o “non tingat aras” cantado em polaco (soa bem!). Já antes da oração, tínhamos depositado na urna a resposta à pré-sondagem, com propostas de dois nomes para Superior Geral e cinco para Conselheiros Gerais. A manhã foi passada em trabalho de grupos, por cores (escolhi o azul, claro), orientado por um “facilitador” (os tais que foram treinados para nos encaminharem no tal método indutivo, pré-anunciado como muito diferente, para melhor naturalmente, contrário ao tradicional método conceptivo ou dedutivo). Seguiu-se o plenário, com as conclusões dos grupos. De manhã, ouvimos também algo sobre a nossa presença no Vietname (20 minutinhos, o dobro em relação a Angola) e ainda houve tempo (quer dizer, esperámos quase meia hora) para sabermos os resultados da pré-sondagem (alguns gostariam de saber mas não posso comunicar, como é óbvio). A tarde iniciou-se com um trabalho de grupos por áreas geográficas (foi a primeira reunião da velha Europa, já quase enterrada para alguns). Depois, realizou-se a sondagem para os mesmos cargos já citados, agora com um só nome para Superior Geral e cinco para Conselheiros Gerais. Ouvimos os relatórios do Canadá, da Polónia e do Brasil Central. Depois fomos para a adoração, no final do dia, consolados (alguns) e inquietos (muitos) com os resultados da sondagem. À noite, ainda tive oportunidade de reunir com os Superiores Provinciais de Moçambique e da Itália Setentrional, isto é, o Conselho de Superiores Provinciais da Comunidade Territorial de Angola. O P. Zeferino também esteve presente na reunião. E com tudo isto e trabalho para amanhã, fica pouco tempo para partilhar convosco o que hoje se passou. Por isso, não estranheis algumas notas mais dissonantes. Já agora, esqueci-me de dizer que o P. Eduardo Agüero foi o moderador do dia. E já agora ainda, hoje aprovámos mais duas actas, a nº 4 do dia 21 de Maio e a nº 5 do dia 22 de Maio.
2. SEMANA CENTRAL. O Superior Geral lembrou os dois grandes motivos da centralidade desta semana: as eleições e o tema de orientação para a vida da Congregação nos próximos seis anos. Agradeceu o trabalho que foi feito por todos os confrades, comunidades, capítulos e entidades da Congregação de há um ano e meio a estar parte, que teve a sua síntese final no “instrumentum laboris”. A Comissão Preparatória, com o Governo Geral, escolheu cinco colunas temáticas, os tais “focus”, para serem trabalhados em grupos e em plenário. A propósito, o Superior Geral apelou à “abertura de mente e coração” em relação ao novo método que vai ser utilizado nas manhãs dos próximos cinco dias de trabalho, convidando-nos a nos deixarmos levar pelo Espírito de Deus. A terminar, leu a bela mensagem que chegou ao Capítulo da parte da comunidade do Seminário Nossa Senhora de Fátima, em Alfragide (Portugal), que manifesta profunda solidariedade e comunhão oração pelo bom seguimento do Capitulo, também sob a acção do Espírito Santo. Obrigado, confrades de Alfragide!
3. CRISTO NO CENTRO E ROSTO DEHONIANO – “focus” e método. É o primeiro “focus” a trabalhar na sessão dos grupos de hoje (sete grupos de nove pessoas cada), regulados por um “facilitador”. Explico a dinâmica. Cada um escreve uma frase bíblica sobre o tema e vai colocá-la no cartaz, sem comentar (2 minutos). Depois, em grupos de três (trinas), pensa-se, escolhe e escreve-se (numa folha rectangular ou circular) duas estratégias para que Cristo seja o centro da nossa comunidade (14 minutos). Segue-se (novamente em trinas, o meu grupo teve duas trinas e uma quadra, pois éramos dez) a escolha de duas carências que refreiam o encontro pessoal com Cristo e duas soluções correspondentes para responder a essas carências no processo formativo, com nova colagem no cartaz e discussão comum quanto à ordem dos factores (20 minutos). Finalmente (aqui tínhamos 30 minutos, sempre em trinas e em todo o grupo), fomos convidados a apresentar três propostas de estudos sobre o Padre Dehon e três propostas de nova espiritualidade. Depois de tudo feito, escolhido e discutido, havia um fotógrafo (o P. Zeferino foi um deles) para captar imagens do trabalho, a fim de ser projectado em plenário e explicado por um relator que o grupo acabou por designar. Expliquei-vos o método, pois pode ser que alguém possa aproveitar e queira também executá-lo (mesmo não estando em Capítulo), sempre em vista de chegar ao Centro que é Cristo e, já agora, ao Rosto Dehoniano. Mas se não perceberam bem, peço ao cronista de amanhã para explicar melhor, com as devidas variações que certamente serão introduzidas. Posso ainda dar-vos algumas notas (naturalmente dispersas) dos conteúdos que foram partilhados em plenário, a partir da projecção da tal foto do cartaz. A Comissão de Síntese anda muito atenta a tudo isto, pois cabe-lhe aproveitar todo este material para o documento final (espero que não se esqueçam também do “instrumentum laboris”, como subsídio, claro).
4. ESTRATÉGIAS para que Cristo seja o centro da nossa comunidade: espaço na comunidade para dia mensal de reflexão sobre o tema; lectio divina, correcção fraterna, momentos de fraternidade e de vida quotidiana; Eucaristia, Adoração, Reconciliação; acto de oblação diária; partilha e empatia na oração comunitária; conhecer Jesus, conhecermo-nos; abrir-se ao outro como Cristo nos amou; rezar juntos; fidelidade dinâmica a Cristo; fidelidade criativa e criatividade fiel; etc.
5. CARÊNCIAS que refreiam o encontro pessoal com Cristo: relaxamento da oração pessoal; comodismo; activismo; perda do sentido dos votos; rotina; falta de fé; individualismo; egocentrismo; falta de amor, de reconciliação e de perdão; resfriamento espiritual; esquecimento de que somos enviados por Cristo e pela comunidade; formalismo na oração; egoísmo; debilidade; consumismo; subtrair-se à oração comunitária; mediocridade; preconceitos; insuficiência na oração, na vida comunitária e na missão; etc.
6. SOLUÇÕES para responder a estas carências no processo formativo: fidelidade ao horário comunitário; desenvolver confiança nos outros; estudo da Palavra de Deus; projecto de vida pessoal e comunitário; sentir que somos enviados por Cristo e pela comunidade; fidelidade; direcção espiritual; oração contemplativa; liberdade para crescer pessoalmente; meditação pessoal e comunitária; educar à interioridade; ir ao essencial; educar à vida comunitária; inverter tempo e energia para o fundamental; dinâmicas de criatividade; hábitos para concretizar projecto comunitário; abertura; discernimento; etc.
7. PROPOSTAS DE ESTUDOS SOBRE O PADRE DEHON: estudar o Padre Dehon a todos os níveis; calendário com pensamento diário do Padre Dehon; escritos do Padre Dehon nas línguas e culturas locais; biografia crítica do Padre Dehon; informatização do arquivo dehoniano; centros de estudos do Padre Dehon em ligação com o Centro de Estudos Dehonianos em Roma; estudo para reescrever as Constituições para Capítulo Geral de 2021; aprofundar e divulgar os textos bíblicos mais citados pelo Padre Dehon; Centro de Estudos Dehonianos como arquivo (conservar), estudos a vários níveis (estudar) e publicações (divulgar); tradução dos escritos do Padre Dehon em linguagem de hoje; artigos breves, conferências; simpósio sobre as várias facetas do padre Dehon, a nível geral e local; etc.
8. PROPOSTAS DE NOVA ESPIRITUALIDADE: retiros espirituais especificamente dehonianos; articular comissões teológicas, de formação e espiritualidade e centros de estudos; projectos comuns com outros institutos religiosos afins; curso anual em Roma sobre a nossa espiritualidade; prever curso de teologia dehoniano na “Ratio Formationis”; enciclopédia da espiritualidade dehoniana; revitalizar Centro de Estudos Dehonianos; estudo do Padre Dehon e publicações; revalorizar algumas devoções à luz da nossa espiritualidade; releitura do carisma do Padre Dehon à luz da espiritualidade conciliar; maior atenção à adoração, maior atenção aos mais pobres; etc.
9. PLENÁRIO DO “FOCUS”. Estas foram algumas notas dispersas apresentadas em plenário. Seguiu-se um tempo livre de intervenções sobre o tema, com algumas acentuações, sempre na procura do Centro que é Cristo. Já agora, aproveitei para dizer que duas palavras nunca foram ditas (nem sequer no meu grupo, confesso): CORAÇÃO, como “marca” da nossa identidade, o tal Coração de Cristo no nosso coração ou o nosso coração no Coração de Cristo; QUALIDADE, como “nota” do dinamismo que deve pautar aquilo que somos, na comunidade e na missão. Mas penso que a Comissão de Síntese saberá aproveitar as boas conclusões dos grupos e alguns aspectos, como estes dois, que estão nos tópicos do tal “instrumentum laboris”. É certo que há que fazer escolhas, não se pode abordar tudo (o método novo é para isso); o trabalho ainda vai no adro…
10. VIETNAME. Trata-se de uma nova presença dehoniana iniciada aquando do último Capítulo Geral, em 2003. Sabe-se como é difícil a presença de religiosos neste país, de maioria budista (85%), com apenas 8% de cristãos. A presença aconteceu a partir das Filipinas e, em 2005, conseguiu-se estabelecer no Vietname uma comunidade de “residência”, na qual estão três padres dehonianos inseridos no trabalho apostólico da Igreja local. Há um grupo de jovens candidatos numa casa vizinha à da comunidade. Actualmente, o Vietname tem um noviço, três postulantes e três aspirantes, que fazem a sua formação nas Filipinas. Apesar das dificuldades, pensa-se na possível abertura de uma segunda comunidade no Vietname.
11. REGIÃO DO CANADÁ. Estamos presentes no Canadá deste 1903, no mesmo ano em que o Padre Dehon foi a Montreal participar no Congresso Eucarístico. Desde 2001, com a diminuição e envelhecimento, a presença no Canadá transformou-se numa só Região e conta hoje com 24 membros. O cuidado dos confrades doentes ou idosos é uma prioridade. Está-se a tentar fazer algo de consistente a nível vocacional, embora tal se torne difícil neste “país belo e grande”, nas inúmeras diferenças culturais; um país de enorme acolhimento de emigrantes e refugiados. Terminava o Relatório: “Neste momento, as perspectivas para o futuro da Congregação no Canadá não são as mais encorajadoras, mas o Senhor tem talvez outras vistas para nós”. A esperança nunca se deve apagar…
12. PROVÍNCIA DA POLÓNIA. A Província da Polónia conta com 245 membros, é a maior da Congregação. Foram-nos apresentadas as muitas actividades na Polónia e noutros lugares onde estão os seus membros: 35 nas missões “ad gentes”, 65 nos Distritos ligados à Polónia e noutras Entidades da Congregação. Foi ainda referida a presença em crescimento, sempre a partir da Polónia, na Região da FINLÂNDIA, na BIOLORÚSSIA, na MOLDÁVIA, na UCRÂNIA, na ESLOVÁQUIA. Como desafios, foram referidos: a presença nos vários Distritos, as dificuldades financeiras e a solidariedade (a Moldávia, por exemplo, é um país muito pobre), a abertura às missões e o desenvolvimento da pastoral das vocações.
13. BRASIL CENTRAL. Como no Canadá, a presença no Brasil Central e Meridional aconteceu em 1903. EM 2003, formaram-se duas Províncias, Brasil Central e Brasil Meridional. O Brasil Central tem, neste momento, 214 membros (em 2003 tinha 189), 10 noviços, 13 postulantes e 127 seminaristas. Foram apresentadas muitas actividades apostólicas e de carácter formativo, em particular o apostolado nas 36 paróquias em 18 dioceses, com 85 párocos. Daí se falar de uma “Província de paróquias”, como desafio às necessidades da Igreja. Fica como destaque a nossa bem conhecida Faculdade Dehoniana, presença altamente qualificada no mundo académico e cultural, os projectos missionários do Mato Grosso e Maranhão e, finalmente, a intenção de enviarem proximamente dois missionários para Angola!
14. MARANHÃO. Presença iniciada em 1968, hoje é um Distrito com 20 religiosos padres e três religiosos em estágio. Estamos em quatro dioceses: São Luís, Viana, Imperatriz, Marabá. Duas casas de formação em São Luís. Dois noviços e um postulante. É conhecido o nosso Santuário da Conceição. Como desafios: a animação vocacional, a questão da manutenção económica, a concretização da caixa comum, a vivência da fraternidade dehoniana.
15. ELEIÇÕES. Hoje, houve pré-sondagens e sondagens. Amanhã é dia da eleição do novo Superior Geral, que poderá continuar a ser o mesmo: o P. José Ornelas Carvalho está a terminar o primeiro mandato de seis anos. Quanto a Conselheiros, a dispersão é maior. À partida, não se segue explicitamente o critério de escolher um conselheiro por cada área geográfica mas, em concreto, isso está subjacente na cabeça de (quase) todos. Que haja “abertura de mente e coração” naqueles que já traziam tudo nominalmente indicado, mesmo antes da invocação do “Veni Creator”! E já agora, que o Espírito Santo não entre de férias amanhã!
» Manuel Barbosa, scj