Crónica - dia 25 de Maio
1. PLANO DO DIA. “Era já a seguir”… a segunda semana do Capítulo, que afinal já é hoje. Continuo também por cá, mesmo hesitando, ao menos por mais este dia; de qualquer modo, sempre podeis seguir a informação oficial (fiável, como sói dizer-se, embora ainda não traduzida em português). Esta é a dita e proclamada semana central do Capítulo: estudo do tema de fundo (aquele que andámos a reflectir pessoalmente, nas comunidades, nos capítulos, nos conselhos provinciais…) proposto em “instrumentum laboris” e eleições (em processo de discernimento sob a acção do Espírito…). Uma semana sem questões jurídicas, cujo pacote fica para a semana seguinte, já mais descentrada e em curva descendente para o término da estada capitular em Roma. Hoje é dia de retiro espiritual, mas diferente dos retiros habituais, como dizia o moderador de serviço, P. Alessandro Capoferri (referia-se ao silêncio que não se fará nas refeições e nalguns intervalos). Plano do dia, em resumo: duas belas meditações, uma de manhã (durou hora e meia) e outra de tarde (durou uma hora mais vinte minutos de intervenções livres e espontâneas), e três momentos comuns de oração: oração da manhã (quinze minutos), adoração (sessenta minutos) e Eucaristia (cinquenta minutos). O resto do tempo ficou para uso pessoal (espera-se que tenha sido mais para “me-ditar” do para “me-deitar”… mas tudo faz parte da vida). Já agora, a oração da manhã e a adoração ficou a cargo da Província Portuguesa e da Região de Madagáscar (quer dizer, encarregámo-nos de arranjar leitores para os textos já, devidamente, bem preparados). Isto está com muitos parêntesis; é um método. Mas podeis experimentar reler este número sem parêntesis; assim, ficará mais escorreito (e árido, já agora).
2. ORAÇÃO DA MANHÃ. Conduzi a oração da manhã, repito que bem elaborada pela Comissão de Liturgia do Capítulo, onde pontifica o nosso P. Ricardo Freire. Tudo está preparado, só tive que escolher leitores para a parte em francês (P. Agostinho Clemente), em espanhol (P. Julián Arroyo) e em italiano (Superiores Provinciais italianos). Eu encarreguei-me da invocação inicial e do acto de oblação (em português). Habitualmente, além da execução daquilo que já está temática e linguisticamente bem apresentado nos opúsculos, cabe-nos escolher um cântico. Hoje, isso nem foi preciso. Por ser segunda-feira e início da semana (para mais a tal semana central em que vamos reencontrar o Centro que é Cristo), cantámos o hino “Caritas Christi urget nos”, que um dos dois autores, o Padre Joãozinho (o outro é o Padre Zezinho), nos ajudou a entoar à guitarra. A oração terminou com uma invocação a introduzir a meditação da Irmã Maria Ko Ha Fong. Só que o exímio condutor ficou retido no trânsito de uma segunda-feira de manhã numa grande cidade italiana… (mas é igual em todo o lado). Podíamos ter ficado em silêncio meditativo, mas logo se arranjou maneira de ocupar o pessoal, passando o vídeo da ordenação diaconal de ontem (filmado, produzido e realizado pelo zino e já no youtube da Província e da Congregação). Depois de algum tempo de espera (os quinze minutos académicos), acolhemos sorridentes (foi a percepção que ela teve) a pregadora do nosso retiro. Não esquecer a nota metodológica: se vos der jeito e para não estorvar a vista, podeis ler saltando as frases entre parêntesis. Como dizia, fica mais ajuizado (e seco, já agora).
3. RETIRO ESPIRITUAL. O P. Cláudio Weber, Assistente Geral, que conduziu a Irmã Maria Ko até aqui, fez a devida introdução ao retiro, acenando à sua importância para as decisões que é necessário tomar nesta semana central e dando alguns dados biográficos sobre a Irmã: é chinesa, mas nasceu em Macau (na altura fazia parte do território português); especializou-se em exegese do Novo Testamento e é professora em Hong Kong, na China e em Roma; dá frequentes cursos na sua Congregação Salesiana; tem vários cargos na sua Congregação e na Igreja. A Irmã Maria Ko, de família budista convertida ao catolicismo, apresentou-se com extrema simplicidade, dizendo-se nervosa, mas só ao princípio. É a primeira vez que se encontra a falar num Capítulo Geral de um Instituto masculino. Apresentou-se com muita serenidade e profundidade, na sua voz melodiosa, doce e suave. Agradeço ao P. José Armando os dois resumos que a seguir reproduzo sobre as duas meditações proferidas pela Irmã Maria Ko (desta vez, não saltem o parêntesis final com o nome do P. Armando, pois os textos são mesmo dele).
4. UMA FOTO, DOIS FLASHS – 1. Conferência da manhã. Um Capítulo Geral é momento para nos deixarmos surpreender por Deus. Deus é amor. O amor impeliu Deus a ultrapassar-se a si mesmo. Sendo Deus, Jesus, não tinha a capacidade de sofrer e de morrer. Mas, porque Ele é amor, superou-se a si mesmo e entrou no sofrimento humano e na morte. A paixão de Jesus é o grande mistério do amor. O amor “mudou” Deus. O “amor” deve mudar-nos. O amor impeliu Deus a dar ao mundo o próprio Filho; era de tal ordem o amor de Deus pelo homem que, por ele, é impelido a tornar-se homem Ele também. Jesus ama, pois, com um coração aberto, com um coração humano, com uma atitude afável. Por isso, Jesus nos convida a aprender não a sua pregação ou os seus milagres, mas a aprender o seu Coração. Aprendendo o Coração, aprendemos tudo.
(P. José Armando, scj).
5. UMA FOTO, DOIS FLASHS – 2. Conferência da tarde. “Permanecei em mim”. A permanência no amor leva-nos a ser também amor. Permanecer no amor é colocar-se ao lado de Deus e olhar com Ele na mesma direcção, “amar não é olhar-se nos olhos um ao outro mas é olhar os dois no mesmo sentido”. Portanto, permanecer no amor é olhar com Jesus a paixão. Percorremos os três pontos do “Instrumentum Laboris”. 1. Espiritualidade: impelidos pelo amor permanecemos n’Ele e, por isso, sintonizamos com Ele, fazemos “união com Ele” (Constituições, 17). 2. Vida comunitária: impelidos pelo amor, aceitamos a diversidade, colaboramos uns com os outros e construímos a fraternidade. 3. Missão: impelidos pelo amor, não somos capazes de o deixar estéril, não conseguimos e, por isso, nos empenhamos na missão. E ensinados pelo coração de Cristo, empenhamo-nos com abundância. O coração do Senhor surpreendia pela abundância. Basta pensarmos na multiplicação dos pães (na abundância recolheram doze cestos) ou nas bodas de cana (transformou seis talhas em vinho e não uma ou duas garrafas… e em vinho bom) ou ainda na pesca milagrosa. Não os fez apanhar dois ou três peixes para terem que comer na altura. Deu-lhes logo 153 grandes peixes. Impelidos pelo amor, somos, pois, chamados a fortificar a nossa união a Ele, a criar a fraternidade no respeito e na promoção e a levar ao mundo esse mesmo amor que nos impele
(P. José Armando, scj).
6. O DIA SEGUINTE. É amanhã, terça-feira. Mas ficámos com trabalho de casa. Foi entregue aos capitulares uma ficha de pré-sondagem, onde devemos escrever dois nomes para Superior Geral e cinco nomes para Conselheiros Gerais (ficha a devolver amanhã de manhã). Tudo a ser feito sob a acção do Espírito Santo, pois estamos em processo de discernimento, que passa, naturalmente, pelo diálogo, sempre na procura do maior bem para a vida da Congregação. Ainda no final do dia de hoje, foi lida uma mensagem que será enviada aos membros da Família Dehoniana, convidando-os (aqueles que puderem, naturalmente) a participar na peregrinação que os capitulares vão realizar à Basílica de São Paulo no próximo dia 2 de Junho. Até amanhã, se Deus quiser.
» Manuel Barbosa, scj