Crónica - dia 22 de Maio
1. MENU DO DIA. Terminada a oração, orientada pela Província do Chile, iniciámos os trabalhos sob a moderação do P. Alessandro Capoferro. Anunciou a aprovação da acta nº 3, que seria adiada por não estar ainda revista; acabaria por ser aprovada à tarde. Durante a manhã, foram tratados e decididos alguns assuntos jurídicos da Regra de Vida (Constituições e Directório Geral), como a data da tomada de posse do novo Superior Geral, a questão do Vigário Geral e número de Conselheiros, assim como o recorrente tema da eleição ou nomeação do Ecónomo Geral. O P. Marek Stoklosa apresentou estas temáticas. Antes de cada votação deliberativa, havia sempre uma votação consultiva, para “medir a temperatura” (só podia ser isso, pois soava a perda de tempo). A manhã terminou com a apresentação da Província de Moçambique. Parte da tarde foi ocupada com a apresentação da Postulação Geral e da Província dos Camarões. Sobraram 10 (dez!!!) minutos para a apresentação da Comunidade Territorial de Angola, numa altura em que todos ansiavam abeirar-se dos refrescos, cafés, chás, bolinhos e salgadinhos… Sendo eu a apresentar como Superior Maior delegado do Superior Geral para esta missão, mostrei o meu desagrado pelo facto. Ainda antes do final do dia, o P. Carlos Lobo, em nome da Comissão Preparatória, anunciou o trabalho da próxima semana sobre o “Instrumentum Laboris”. Explicou a metodologia interactiva que vai ser utilizada, com a ajuda de técnicas vindas da hispânica ESIC, para melhor chegarmos ao centro que é Cristo… O dia terminou com a adoração sob o lema “em Cristo, a verdadeira liberdade”, inspirado em Gal 5,1-2.13-26. E lá terminou a primeira semana de Capítulo. Ainda faltam três…
2. TOMADA DE POSSE DO NOVO SUPERIOR GERAL. Foi a primeira decisão deliberativa de hoje, com a introdução de um novo número (129) no Directório Geral. Segundo a norma em uso, o Superior Geral eleito tomava posse imediatamente e presidia ao Capítulo. Com a nova norma, o Superior Geral toma posse no dia de encerramento do Capítulo, podendo este estabelecer data diferente (antes ou depois do encerramento), mas nunca para além de três meses da data de eleição. O Superior Geral eleito passa a fazer parte da Mesa da Presidência, como Vice-Presidente. Há outras minudências, mas o essencial consiste nisto. Já agora, aproveito para dizer que há um grupo de capitulares (sempre os mesmos!) que gostam de se pronunciar sobre estas coisas. Não dizem nada de novo nem sequer esclarecem, mas “botam faladura”. Há até um que dizem ter curso de “tudologia”, pois parece saber e falar de tudo.
3. CONSELHEIROS GERAIS E VIGÁRIO GERAL. Depois de muita discussão, lá aprovámos também a figura do Vigário Geral, tendo caducado a de Assistente Geral. Alguém dizia que, desse modo, o Capítulo dá ao Superior Geral um instrumento jurídico para o coadjuvar. Isso consta do nº 130.2 do Directório Geral. Ficou também decidido que o Vigário Geral é nomeado pelo Superior Geral, com o consentimento do seu Conselho. O Capítulo Geral decidiu ainda que, no próximo sexénio, haverá 5 (cinco) Conselheiros Gerais, dos quais um é o tal Vigário Geral. Alguns insistiam que deviam ser definidas algumas funções para este cargo, mas tal não pode ser, pois só o Superior Geral dirá quais as suas atribuições. Mas os tais do costume não descansavam e insistiam na coisa. Que coisa! Claro que não se avançou na matéria.
4. ECÓNOMO GERAL. Estava em causa a alteração do nº 132 das Constituições e da introdução do longo nº 132 (com seis pontos) do Directório Geral sobre o Ecónomo Geral. Quem esteve no último Capítulo (é o meu caso), lembra-se das dificuldades e dos vários dias perdidos (ou ocupados, melhor será dizer assim) a tratar de encontrar um Ecónomo Geral. O caminho posterior foi feito para se alterar o procedimento já neste Capítulo. A questão está em manter a norma (eleito pelo Capítulo Geral) ou alterá-la (nomeado pelo Superior Geral). Depois do devido tempo para debate e propostas de pequenas alterações ao texto (o sentido é o mesmo, mas sempre fica bem alterar qualquer coisa!), lá se aprovou a nova norma: a partir deste Capítulo, incluído, o Ecónomo Geral é nomeado pelo Superior Geral, com o consentimento do seu Conselho. Além disso, o Superior Geral tem o prazo máximo de um ano para concretizar essa nomeação. Alguns sugeriram apenas seis meses (já agora, poderia ser nove meses, o tempo propício para tal geração…) Enfim, mais algum tempo perdido com pormenores e repetições. Claro que há outros aspectos presentes nos seis pontos da norma do Directório Geral, como o facto de se indicar que o Ecónomo Geral deve ser um (bom) religioso com dez anos de Profissão Perpétua e 35 anos de idade (condição em que se encontra o nosso Ecónomo Provincial de Portugal desde o último 14 de Março…). Houve logo alguém (não fui eu) que pensou que, com esta aprovação, o final do Capítulo poderia ser antecipado uns dias. Mas a sua alegria não foi completa, pois a programação do Capítulo já previa (tacitamente) esta decisão.
5. MOÇAMBIQUE. A realidade de Moçambique foi apresentada pelo seu Superior Provincial. São 52 membros, têm dois bispos: um é Bispo de Nampula e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (D. Tomé), outro é o recente Bispo de Lichinga (D. Elio Greselin). Mas, entre isto e aquilo, são apenas 31 em serviço pastoral activo. Interessante o facto de terem quatro assembleias anuais: duas para todos, duas apenas para superiores e ecónomos. O Noviciado é feito após dois anos de Filosofia, o que foi alteração recente. Falou depois dos três campos principais de actividade: missões (Milevane e Alto Molocuè); obras sociais, como o Centro Polivalente Leão Dehon, que é uma grande escola de artes e ofícios e instituto médio agrário (o terceiro de Moçambique), e o trabalho na área da saúde, sobretudo com o médico P. Aldo Marchesini; formação de confrades dehonianos. Abordou ainda projectos de colaboração com outras Províncias, em particular o projecto de missão em Angola, com Portugal e a Itália Setentrional, assim como a importante presença de leigos voluntários vindos de Portugal e da Itália.
6. POSTULAÇÃO GERAL. Coube ao Postulador Geral, P. Evaristo Alegria, apresentar a situação actual das causas de beatos, santos e afins. Recordou, em particular, toda a história da decidida, mas não realizada, beatificação do Venerável Padre Leão Dehon. A propósito, salientou a excelência da Carta do Superior Geral então enviada a toda a Congregação, que constitui um marco de referência sobre a questão. Elencou ainda as várias causas actualmente em processo: Beato Juan Maria de la Cruz, mártir; Servos de Deus Padre André Prévot, Padre Bernardo Longo e Padre Martino Nicola Capelli; Venerável Antonio Vincenzo Gallo, oblato scj (sacerdote diocesano). A ocasião serviu para se apelar à continuação do estudo sério e científico sobre a vida e escritos do nosso Fundador. Motivou alguma discussão a questão da trasladação dos restos mortais do Padre André Prévot da capela do nosso Noviciado de Sittard para o cemitério da comunidade de Asten, na Holanda. Uma “questão de ossos” que ajudou a retirar precioso tempo à Missão de Angola, esta uma “questão de vida”.
7. ANGOLA. Nos míseros dez minutos que me concederam para a apresentação da Missão de Angola (não deixei de manifestar de início a minha discordância), sempre em powerpoint, tive apenas tempo para destacar os cinco anos de missão nas comunidades de Viana e do Luau, o abnegado trabalho de dedicação dos nossos oito missionários actuais (P. Domingos Pestana, P. Joaquim Freitas, P. Jorge Alves, P. Amândio Rocha, prefeitos David Mieiro e Flávio Guido, todos de Portugal; P. Madella, de Moçambique, P. Vincenzo Rizzardi, da Itália Setentrional), a solidariedade da Congregação a nível de apoio económico, as dificuldades e desafios de um país muito rico com população muito pobre. Fui passando muitas e variadas fotos, com breves comentários, enquanto ia escoando o tempo. Os capitulares acolheram bem esta presença assim como o que viram e ouviram, apesar de ter ficado incompleta. Falta olhar em conjunto o futuro. Na sessão seguinte, o moderador diria que haverá outra oportunidade para se abordar estes aspectos, desculpando-se do pouco tempo concedido. Assim se espera (nem poderia ser de outro modo!), pois há Províncias disponíveis para participar proximamente neste projecto internacional de missão.
8. CAMARÕES. O Padre António Panteghini apresentou a entidade dos Camarões, de que é Superior Provincial. Uma Província jovem (36 como média de idade), em franco crescimento, que se torna cada vês mais “africana”, nos seus membros e na assumpção de responsabilidades. Conta com 90 membros, sendo 12 europeus e 78 dos Camarões. Falou dos compromissos nas Dioceses de Bafoussam e Nkomgsamba, onde nos encontramos, e da próxima presença noutras dioceses. Destacou a participação no projecto de missão em Angola, contando que os padres Jean-Paul Labou e Max Atanga, que fizeram os seus estudos teológicos em Portugal, possam seguir ainda no final deste ano para Angola. Para celebrar os 100 anos da chegada dos primeiros dehonianos alemães a Kumbo em 1912, está-se a construir, com a ajuda de várias Províncias, a Igreja do Centenário (Sanctuaire du Sacré-Coeur) em Bafoussam, para as celebrações centenárias de 2012.
9. METODOLOGIA DA PRÓXIMA SEMANA. A próxima semana seguirá, na parte da manhã, a tal metodologia interactiva (muito diferente da metodologia clássica desta semana, afirmou-se). Haverá grupos, moderados por “facilitadores”, com métodos dinâmicos e utilizando técnicas pós-modernas. A participação será potencializada ao máximo, pois prevê-se a utilização de binas e trinas (grupos de dois e de três). Dizem que vai dar muito fruto… A ver vamos. O importante é que possamos abordar a temática do Capítulo, nos três pilares da espiritualidade, vida comunitária e missão, mas na centralidade de Cristo, o Coração. Esperemos que os métodos nos levem a reflectir as grandes temáticas apontadas no “instrumentum laboris” (pouco dado aos latinórios, o apresentador lá chegou à terceira, depois de “instrumentus laboris” e “instrumentum laboro”). Melhor é dizer em português “documento de trabalho” (não “instrumento de trabalho”, como se ouve por vezes). Já agora, será também a semana da eleição do novo Superior Geral e dos cinco Conselheiros Gerais (aqui não se vai usar a famigerada técnica interactiva, espero). A semana, que terminará com a grande celebração eucarística de agradecimento pelo novo Governo Geral, vai iniciar-se com um dia de retiro, orientado pela irmã Maria Ko, salesiana chinesa. Será um dia luso-malgaxe-chinês, visto a condução da oração estar confiada a Portugal e Madagáscar. Bom fim-de-semana, para quem teve a paciência de acompanhar os trabalhos desta primeira semana de Capítulo, através destas notas de crónica, escritas por um estafado capitular.
» Manuel Barbosa, scj