« Caritas Christi urget nos »
(2 Cor 5:14)

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Crónica - dia 19 de Maio

1. Agenda do dia. Já despertos e bem alimentados, iniciámos os trabalhos com a oração da manhã, às 8.15 horas. Sob a moderação do P. Raymond Kozuch, a agenda proposta para este dia foi integralmente cumprida: término da apresentação do Relatório do Superior Geral; trabalhos por grupos linguísticos sobre este importante documento de avaliação e perspectivação da vida da Congregação; plenário com a apresentação do mesmo trabalho. Conseguiu-se que todas as apresentações fossem projectadas, o que facilitou o acompanhamento das conclusões dos grupos. Antes do almoço, houve a celebração da Eucaristia em várias capelas, por grupos linguísticos; na capela grande fica o grupo de língua portuguesa e espanhola, por sinal o mais numeroso. Hoje foi em espanhol, amanhã será em português. O tema “no sinal da fé e da graça”, inspirado em Rom 5,1-11, orientou o momento de Adoração do final do dia.

2. Relatório do Superior Geral – visão geral da Congregação. Com o apoio de quadros estatísticos e gráficos (editados num opúsculo próprio), o Superior Geral terminou a apresentação do seu Relatório, precisamente o capítulo 4, sobre a situação actual da Congregação e perspectivas. A Congregação conta actualmente com 2.227 membros: África (315); América do Norte (125); América do Sul (483); Ásia (277); Europa (1.017). O P. Ornelas teceu algumas considerações sobre o significado de alguns dados, salientando sobretudo o deslocamento da Congregação para Sul, a mudança cultural com o crescimento da Ásia e da África, a passagem do eurocentrismo à multi-culturalidade. Concluiu, dizendo tratar-se da maior mudança da Congregação desde a sua origem; 2004 foi o ano em que a soma dos membros dos outros continentes ultrapassou (ainda que ligeiramente, digo eu) o da Europa. Trata-se de uma leitura realista, com um olhar para o futuro próximo da Congregação e os desafios que enfrenta.

3. Relatório do Superior Geral – a Congregação nos Continentes. No segundo ponto, passou brevemente em revista a nossa presença nos vários continentes, apontando os desafios maiores, comuns e específicos de cada realidade geocultural, que se nos apresentam. Reforçou a urgência de tomarmos decisões para “não perdermos a carruagem da história”. Repensar modelos existentes, assumir mudanças estruturais, intensificar a colaboração inter-provincial, a cooperação internacional e o sentido intercultural das nossas presenças, como concretização da comunhão congregacional, foram algumas das linhas de força repetidas nessa apresentação. Ao longo da exposição, referiu as novas presenças do Vietname e de Angola, esta em 2004, e a possibilidade de nos abrirmos proximamente à China, ao Chade e ao Paraguai, entre outros lugares.

4. Relatório do Superior Geral – olhando em frente. O último ponto do Relatório foi um apelo a olhar em frente, a partir da mudança histórica que está a acontecer na Congregação e à luz dos três pilares da nossa espiritualidade: carisma dehoniano em contexto inter-cultural; comunhão aberta à internacionalidade; missão até aos confins da terra. Concluiu em atitude de agradecimento pela herança recebida do “amor de Cristo que nos impele”, convidando-nos a tomar consciência do nosso “hoje”, para juntos percorrermos os caminhos de Deus no Mundo.

5. Grupo de síntese. No final da apresentação do Relatório do Superior Geral, a assembleia foi informada da constituição do Grupo de Síntese, que procurará elaborar o documento final do Capítulo, a partir de todos os debates capitulares: P. João Carlos Almeida (Brasil Central), P. Zolile Mpambani (África do Sul), P. Marcello Matté (Itália Setentrional) e P. John Van Den Hengel (Canadá).

6. Grupos linguísticos. Grande parte do dia foi passado em trabalho nos 8 grupos linguísticos: Inglês (2); Francês (1); Italiano (3); Português/Espanhol (2). Cada grupo foi chamado a reflectir sobre o resumo final do Relatório (desafios e perspectivas), no sentido de verificar se correspondiam à realidade da Congregação. Em particular, cada grupo foi chamado a opinar sobre alguns aspectos mais precisos: quais os sectores da Congregação que devem merecer mais atenção nos próximos seis anos; que medidas são consideradas prioritárias para cada sector (cada grupo estudou dois sectores de actividade); como desenvolver a comunhão inter-provincial e o intercâmbio de pessoas e meios na vida e na missão da Congregação; observações e sugestões úteis para a composição e a acção do Governo Geral.

7. Plenário. Como se previa (julgo eu), as conclusões dos grupos em plenário foi abundantemente diversificada e dispersa. Falou-se de tudo e de muita coisa, às vezes de quase nada! Muitos pontos serão retomados nos próximos dias, como é óbvio. Ainda é cedo para se ver qual a orientação específica do Capítulo para a Congregação, mas já se vão percebendo algumas acentuações, a partir da espiritualidade, da pastoral das vocações e da formação. Não faltaram referências concretas às questões sociais, em particular o sector da Justiça e Paz, e à realidade da Família Dehoniana. Repetiram-se sugestões no sentido de a próxima Conferência Geral ser sobre a educação. Começam a surgir ideias embrionárias quanto à forma de se constituir o próximo Governo Geral e seus colaboradores.

8. Renovar a Esperança. Enfim, o plenário foi produzindo ideias sabidas e repetidas, mas que devem ser iluminadas pelo sopro do Espírito, na atenção aos sinais dos tempos e com o olhar, pleno de esperança, no futuro. Nesse sentido, embora sabendo a situação de diminuição e de envelhecimento da velha Europa, é preciso olhá-la também com realismo e esperança. Pode ter passado a ideia de que a Europa é o “deserto” face ao “oásis” da África e da Ásia; alguém, vindo do Oriente, se atreveu mesmo a falar da situação actual da Europa como eutanásia (a conclusão do plenário não deu azo a que surgissem outras afirmações suicidas isentas de serenidade). Mesmo hoje, a Europa, nos seus 400 mil religiosos e religiosas (número ingente feito de pessoas concretas, muitas envelhecidas, é certo, mas oblatas de esperança!) contém muitas “histórias de esperança que são esperança para a história”! Não é por acaso ser esta a temática que está a ser proposta pela União das Conferências Europeias de Superiores e Superioras Maiores (UCESM), reflexão que terá o seu momento maior de partilha na Assembleia Geral de 2010, na Polónia. Voltando ao relatório do Superior Geral, oxalá seja lido como é proposto: com realismo perante a situação, sem dramatismos mas com a coragem de apontar caminhos novos e renovados da presença da Congregação no Mundo. Com exigência e urgência, com paixão e entusiasmo, com competência e qualidade! Sempre a partir da marca do Coração de Jesus, ao jeito do Padre Dehon!




» Manuel Barbosa, scj

 

 

 

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